quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Cálcio e Magnésio andam juntos. Importância do Magnésio - OSTEOPOROSE - hipomagnesemia

O cálcio precisa do magnésio na medida certa para conseguir exercer suas funções, entre elas, formar a massa óssea.

Consumir mais cálcio do que magnésio aumenta o risco de perda de massa óssea. O corpo para deixar na proporção correta rouba o magnésio existente no organismo que fica concentrado dentro do osso.

O magnésio e o cálcio juntos ajudam o corpo a se livrar do acúmulo de gordura, manter a pressão arterial sob controle, regular a ação de hormônios e controlar os movimentos dos músculos, * (o cálcio contrai a musculatura e o magnésio relaxa). *

O magnésio é fundamental para a formação e funcionamento de todos os neurotransmissores, sem exceção.

O magnésio, o qual apresenta um papel fundamental em várias reações biológicas. Entre as suas diversas características pode-se destacar que ele é ativador de sistemas enzimáticos que controlam o metabolismo de carboidratos, lipídeos, proteínas e eletrólitos; influencia a integridade e transporte da membrana celular; regula as contrações musculares e transmissões de impulsos nervosos (RAMALHO, 1998).

Diante dessa importância convém ressaltar ainda que o magnésio é importante para o funcionamento do sistema imune, uma vez que ele é necessário para a realização de inúmeros processos metabólicos de fundamental importância par todas as células do organismo incluindo as células imunes.


Portanto, o cálcio e o magnésio são dois elementos quimicamente semelhantes, contudo são utilizados de maneiras diferentes. O primeiro funciona principalmente fora das paredes das células, já o segundo reside e funciona principalmente dentro das células. Apesar da diferença cada um funciona de forma única no organismo e ambos são necessários para manter o tônus muscular, a contração e o relaxamento adequados.


Um pouco mais sobre o Magnésio

O magnésio é um mineral do meio intracelular, é um cátion divalente cofator para mais de 300 enzimas apresentando um papel fundamental em várias reações biológicas. É ativador de sistemas enzimáticos que controlam o metabolismo de carboidratos, lipídeos, proteínas e eletrólitos; influencia a integridade e transporte da membrana celular; mediador das contrações musculares e transmissões de impulsos nervosos e é Co-fator da fosforilação oxidativa (GRUDTNER; WEINGRILL; FERNANDES, 1997).

Sendo assim, convém ressaltar que o magnésio é indispensável à fixação de cálcio nos ossos, podendo causar ou agravar quadros de osteopenia e osteoporose no adulto e dificultar a calcificação correta dos ossos na infância e adolescência.

Oliveira e Escrivão (2003, p. 190) afirmam que o “magnésio pode atuar de duas maneiras no organismo: a primeira ligando-se ao substrato originando um complexo com o qual a enzima interage e a segunda unindo-se diretamente à enzima modificando sua estrutura com ou sem função catalítica”.

Ainda referenciando Oliveira e Escrivão (2003, p. 195), vale destacar sobre a absorção e excreção do magnésio:

Sua absorção ocorre de 30 a 50% na ingestão oral, na porção jejunileal do intestino delgado. Circula ligado à albumina e é armazenado nos ossos (60 a 65%), músculos (26%) e o restante em tecidos moles e líquidos corporais (6 a 8%). Reabsorvido de forma ativa no néfron e passiva no túbulo proximal. Ocorre excreção urinária (1,4 mg/Kg/dia) e fecal (0,5 mg/Kg/dia). 

Os rins conservam o magnésio de forma eficiente, em particular quando sua ingestão está baixa.

Os efeitos do magnésio podem ser mediados através de sua ação como um antagonista de cálcio ou por ser cofator de sistemas enzimáticos que envolvem o fluxo de sódio e potássio através da membrana celular. Como resultado, ocorre o relaxamento do músculo liso, a inibição da transmissão neuromuscular colinérgica e a estabilização dos mastócitos.

O magnésio tem múltiplas funções no metabolismo ósseo:

Níveis adequados de magnésio são essenciais para a absorção e utilização do cálcio: o magnésio estimula a produção de calcitonina, um hormônio que ajuda a preservar a estrutura óssea e retira o cálcio excedente da circulação sanguínea e dos tecidos moles, fixando-o no osso. Também suprime a ação de outra hormona ligada ao metabolismo ósseo, a paratormônio a, reduzindo a reabsorção óssea. 

O sistema endócrino regula a produção dos hormônios calcitonina e paratormônio, através das glândulas tireoides e paratireoides. Esses dois hormônios são responsáveis pela manutenção dos níveis normais de cálcio na circulação em torno de 9 a 11 mg por ml de sangue.
Elevação do nível de cálcio no sangue estimula a tireoide a secretar calcitonina. Esse hormônio promove a deposição de cálcio nos ossos e a eliminação de cálcio na urina, além de inibir a absorção desse material pelo intestino. Com isso, a taxa de cálcio no sangue diminui.
Quando a taxa de cálcio se torna menor que 10 mg por 100 ml de sangue, a secreção de calcitonina é inibida e as glândulas paratireoides são estimuladas a secretar o paratormônio. Esse hormônio tem efeito inverso ao da calcitonina: libera cálcio dos ossos para o sangue, estimula a absorção de cálcio pelo intestino e diminui sua eliminação pelos rins.
Dessa forma, a calcitonina e o paratormônio mantêm um nível adequado de cálcio no sangue, condição essencial para o bom funcionamento das células. Veja aqui também a importância da ELETROTERAPIA GFU. Como já colocado no link:

A deficiência de magnésio no organismo reduz a absorção e o metabolismo do cálcio, impedindo que a quantidade correta do mineral seja direcionada à formação de ossos mais fortes. Por isso, a dieta que atua na prevenção de doenças como a osteoporose deve contar também com o magnésio.
O magnésio é necessário para converter a vitamina D inativa na sua forma ativa, o que ajuda a aumentar a absorção de cálcio. As reações enzimáticas necessárias para a formação do osso novo são dependem do magnésio.

O magnésio mantém o cálcio dissolvido no sangue. Sem o equilíbrio adequado entre magnésio e cálcio, em uma razão de um para um, o cálcio acaba se depositando nos rins (podendo formar pedras), nas artérias coronárias (resultando em artérias obstruídas) e nas cartilagens das articulações, em vez de chegar aos ossos, onde mais precisamos.

 A deficiência de magnésio também causa:
- irritabilidade,
- excitação e ansiedade. 
- desorientação agressividade e alucinações. 
Os sistemas quando não funcionando corretamente desequilibram os demais.
http://gfugeradordefrequencia.blogspot.com.br/2011/03/6.html


Neste contexto, a deficiência de magnésio no organismo pode estar associada a dietas com quantidades insuficientes desse mineral ou devido a outros fatores como alterações da absorção, quadros de stress, exposição a tóxicos (no caso alumínio, chumbo e níquel), deficiência de vitamina B6 ou de boro, ingestão alcoólica, tabagismo e a diversas alterações endócrinas (diabetes, doenças da tireoide e das paratireoides), portanto, a deficiência do magnésio pode levar a sérias alterações bioquímicas e sintomáticas no indivíduo.

Carvalho (1999, p. 202) destaca as seguintes funções fisiológicas do magnésio:

a) Cátion intracelular – depois do potássio é o íon intracelular mais abundante;

b) Relaxamento do tecido muscular – enquanto o cálcio estimula a contração muscular; o Mg estimula o relaxamento;

c) Inibe a agregação plaquetária – aumentando a relação prostaciclina/ tromboxano;

d) Regula o ritmo cardíaco – importante na regulação da excitabilidade muscular;

e) Mantém a permeabilidade vascular – por relaxamento da musculatura lisa dos vasos;

f) Co-fator de várias enzimas – atuando na síntese e função do DNA (síntese proteica e divisão celular), na transferência de fosfatos para a produção de ATP (fosforilação oxidativa), no metabolismo iônico (fosfatase alcalina) e em outras funções essenciais do metabolismo;

g) Participa do metabolismo dos aminoácidos – tal como a piridoxina;

h) Constituinte dos ossos – fixa cálcio nos ossos e nos dentes;

i)  Regula a permeabilidade das membranas celulares – junto com o cálcio;

j) Atua no metabolismo cerebral e na neurotransmissão – participa da síntese de serotonina;

k) Participa do transporte de amônia para o fígado (co-fator da glutaminase) e posterior síntese de ureia (ciclo da ornitina);

l)  Auxilia na absorção de Ca, P, Na e K.

Ainda citando Carvalho (1999, p. 204), o autor demonstra que o magnésio é uma das substâncias mais usadas pela Medicina Ortomolecular e seus efeitos terapêuticos têm aplicação em diversas patologias:

Infarto do miocárdio – dilata as coronárias, provavelmente por relaxamento da musculatura lisa desses vasos, além de melhorar a contratilidade do miocárdio; 

Angina pectoris – reduz os riscos de espasmo coronariano e inibe a agregação plaquetária;

 Hipertensão arterial – diminui a pressão por ter efeito vasodilatador; 

Cardio arritmias – estabilidade do ritmo cardíaco; osteoporose – regula a liberação do paratormônio, evita as calcificações de partes moles que podem advir da terapia com altas doses de cálcio. 

Doenças articulares – parece ter efeito anti-inflamatório; asma brônquica – relaxa musculatura da árvore tráqueo-brônquica durante os ataques de asma; 

Prevenção de litíase urinária – evita a formação de cálculos de oxalato de cálcio;

 Síndrome pré-menstrual, dismenorreia – melhora as cólicas, a irritabilidade, a fadiga, a depressão e a retenção hídrica; Insônia – pelo seu efeito relaxante; Epilepsia – vários estudos mostram as propriedades anticonvulsivantes do Mg; Câncer (prevenção) – existe relação positiva entre hipo-magnesiana e incidência de câncer.

Já Waitzberg (2000) acrescenta outras condições patológicas onde se encontram a hipomagnesemia que são:

• Doenças gastrointestinais: Doença intestinal inflamatória, doença celíaca, fístulas;
• Intestinais, infecções gastrointestinais, síndrome do intestino curto, vômitos, diarreia, pancreatite e outras.
• Distúrbios endócrinos: hipertireoidismo, diabetes melito, hiperparatireoidismo com hipercalemia, hiperaldosterismo;
• Disfunção renal com perdas urinárias excessivas;
• Estados hipercatabólicos: traumas, queimaduras;
• Algumas medicações: cisplatina, antibióticos, nefrotóxicos, diuréticos;
• Desnutrição protéico-calórica;
• Nutrição parenteral prolongada;
• Pós-cirurgia ou transplantes cardíacos;
• Hipertermia;
• Uso abusivo de álcool;
• Exercício físico prologado (↓ Mg sérico);
• Disfunções Neuromusculares.

Acredita-se que o fornecimento de quantidades adequadas de magnésio seja importante para o funcionamento do sistema imune, uma vez que ele é necessário para a realização de inúmeros processos metabólicos de fundamental importância para todas as células do nosso organismo incluindo as células imunes.      

Entre as fontes alimentares, de magnésio, destacam-se os vegetais folhosos verde-escuros e legumes, frutas (caju, banana, figo e maça), mel, cereais integrais, nozes, amendoim e leite.

Tabela 01: Recomendação Nutricional para Magnésio – DRI (Dietary Reference Intake).

FAIXA ETÁRIA MAGNÉSIO (Mg/ dia)
0 – 6 meses 30
7 – 12 meses 75
1 – 3 anos 80
4 – 8 anos 130
9 – 13 anos M: 240 F: 240
14 – 18 anos M:410 F: 360
19 – 30 anos M:400 F:310
31 – 50 anos M:420 F:320
51 – 70 anos M:420 F: 320
>70 anos M:420 F: 320
Fonte: Dietary Reference Intakes Tabe, Food and Nutrition Board,NationalAcademy of Sciences, 2002.


Referências:

RAMALHO, A. C. R. Farmacologia do cálcio, vitamina D, paratormônio, calcitonina e bifosfonatos. In: SILVA, P. Farmacologia. 5. ed. Rio de Janeiro: 1998.

CARVALHO, Paulo Roberto Carlos de. Medicina Ortomolecular: um guia completo sobre os nutrientes e suas propriedades terapêuticas. 4. ed. Rio de Janeiro: Nova Era, 1999.

MAGNONI D., CUKIER C.. Perguntas e Respostas em Nutrição Clínica. 2. Ed. São Paulo: Roca, 2004.

WILLIAMS, S.R. Fundamentos de Nutrição e Dietoterapia. Porto Alegre: Artes Médicas; 1997.

OLIVEIRA F.L.C.; ESCRIVÃO M.A.M.S. Osteoporose. In Lopes FA, Brasil ALD. Nutrição e dietética em clínica pediátrica. São Paulo, 2003.

GRUDTNER V.S.; WEINGRILL P.; FERNANDES A.L.. Aspectos na absorção no metabolismo do cálcio e vitamina D. Rev. Bras Reumatol 1997 Mai/Jun; 37(3).

WAITZBERG, D. L. Nutrição oral, enteral e parenteral na prática clínica. 3. ed. São Paulo: Ateneu, 2000.

http://antonini.med.br/